SANTO HILARIO DE POITIERS

      Conforme costume até bem pouco tempo utilizado, poderíamos dizer que Santo Hilário “tinha berço”, ou seja, nasceu em meio à riqueza. Seus pais, embora não nobres, tinham grande influência em Poitiers, na França, antigamente chamada de Pictavium, nome celta, assim como o povo que a habitava.

      Hilário foi criado sob forte influência neoplatônica, algo bastante controverso, pois intermediário entre Filosofia e Religião. Da primeira, trazia como principal referência os ensinamentos de Platão e da segunda, conceitos bem próximos aos do paganismo, já que pregadora da existência de centenas de deuses.

      Durante seu crescimento, a cultura se fez o principal objetivo de seus pais, que o incentivavam e patrocinavam a busca por conhecimentos históricos, o que o levou a estudar grego arcaico, idioma pelo qual se narrou muito sobre os primórdios da História Universal.

      Seu gosto pela História, aliás, o levaria a entusiasmar-se pelas religiões monoteístas, a princípio pela ramificação genealógica do Patriarca Abraão, coisa que com o correr do tempo o levaria até Jesus Cristo, fazendo com que o Novo Testamento passasse também a fazer parte de seus estudos. E isto não poderia dar em outra coisa: abandonando o neoplatonismo, Hilário, convicto, assumia o Cristianismo!

      Tendo assumido o Catolicismo e a ele se arraigado pelo batismo, Hilário logo conquistou o posto de Bispo de sua Cidade, mesmo sendo casado, pois, por essa ocasião, o celibato era recentíssimo, não sendo ainda rigidamente obedecido. Por falar em casamento, de sua união nasceria Abra, em 343, pessoa de grande virtude, que morreria antes de completar dezessete anos e que em muitos dos locais onde se pratica a devoção a Santo Hilário, devota-se também a ela, a quem consideram e chamam de Santa Abra.

      Como Bispo católico, Santo Hilário teria que enfrentar a poderosa onda ariana, fruto de um dos primeiros cismas da Igreja que, iniciado no Oriente e com o apoio de Reis e Imperadores que viam no Cristianismo forte ameaça a seu despotismo, chegava ao Ocidente. Essa influência régia e/ou imperial se fez tão forte, que Hilário se viu destituído de sua condição de Bispo, tendo que exilar-se por quatro anos, na Frígia-Anatólia, hoje Turquia.

      Como se notava espúria a decisão de seu afastamento, toda a estrutura sacerdotal que lhe devia obediência assim se manteve. Se desgastante o exílio, ao menos para a Igreja Católica ele foi de suma importância, pois foi durante esse período que Hilário escreveu duas das mais importantes obras do acervo Cristão, o “Tratado sobre a Santíssima Trindade” e “a Fé Católica na Igreja Oriental” que, embora não se registrem como regrais, contém dados importantes sobre o Arianismo, sua influência e principalmente registram as batalhas orais travadas com Ário, de grande influência no descrédito daquela heresia.

      A obra literária de Santo Hilário é bastante robusta e eclética, indo de temas como “Tratado sobre os Salmos” a “Reis, Santos e Feiticeiros”. Tanto é importante sua obra, que através dos tempos o santo vem merecendo citações que o indicam o maior dos escritores católicos latinos, comparável a Santo Ambrósio. Se não bastassem tais afirmações, o santo-mestre Agostinho considerou-o “o mais ilustre dos doutores da Igreja”.

      Em 368, aos 53 anos, de morte natural, falecia este santo e doutor da Igreja, de tão grande contribuição à religião Católica Apostólica Romana, a mesma que consagrou sua santidade e lhe reserva a data de 13 de Janeiro, de todos os anos, para que se o comemore com festas e especiais celebrações.

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