SANTA MARIA JOSEFA ROSSELLO

“FAÇAS TUDO O QUE PUDERES. DEUS FARÁ O RESTO!”

Este singelo preceito, talvez criado por ela mesma, talvez aprendido de outrem, fez-se regra de vida para Benedita Rossello, desde o instante em que se sentiu apta a gerir seu destino.

Não foi fácil para Bartolomeu Dedon e sua esposa – Maria - manterem com a necessária dignidade aquela família. Afinal, eles e mais dez (!) filhos, formavam uma dúzia de bocas para alimentar e Bartolomeu, campesino simples, não tinha outra ocupação que não a de artesão, tendo nas mãos sua ferramenta; no seu modesto pensar, os projetos e no barro sua matéria prima.

Mesmo com todos os filhos cujas idades permitiam, ajudando-os na produção de jarros, botijas e canecas, pelo pequeno valor desses artefatos a renda da família mal dava para as despesas mais comezinhas. Só que, se faltava conforto, algo de muito maior importância sobrava na casa dos Dedon: religiosidade! 

Interessante como uma só palavra pode representar tantas coisas, mesmo não lhes sendo sinônima: religiosidade! É claro que aqui falamos de Cristão para Cristão, pois fossem outras as opções religiosas, nem sempre religiosidade se faria sinônimo de Amor; Caridade; Piedade; Esperança; Igualdade; Fraternidade; Justiça; Respeito; Verdade...

Assim, com a religiosidade ali praticada e toda essa gama de conexos sobrando, a vida daquela família seguia em frente, privilegiada pela Felicidade.

E foi por causa dessa religiosidade que o dom do sacerdócio pode se manifestar na 4ª daqueles 10 filhos, Benedetta.   

Ainda bem pequena, Benedetta ganhou de sua mãe uma correntinha dourada, de onde pendiam um crucifixo e uma medalha da Virgem Maria, que lhe acompanhariam por toda a vida.

Raro era o momento em que a menina não mantinha u´a mão sobre as peças penduradas, como que a acariciá-las. Tratava aquele conjunto como se tesouro fosse. E assim foi-se indo sua infância e chegando a juventude.

Próxima de completar seus dezoito anos de idade, Benedetta passou a frequentar uma unidade da Ordem Terceira de São Francisco, embora sem vincular-se a ela de forma oficial. Conhecendo lá a vida dos santos que haviam passado pela Ordem, começou a imaginar-se uma delas e com isto sonhava em muitas de suas noites.

Havendo a necessidade de ajudar sua família, somando recursos, foi trabalhar na casa dos Monleone, uma família formada por nobres, onde com o tempo passou a ser tratada com afeto maternal, muito em razão de os Monleone não haverem sido privilegiados com o ganho da paternidade.

Foram sete os anos em que Benedetta granjeou tanto amor dos Monleone, que a dona da casa, havendo enviuvado, quis adotá-la, permitindo assim que sua companhia se fizesse direta, integral, sem os intervalos dos finais de semana ou outras oportunidades, quando a jovem se ausentava para viver momentos com seus pais. Benedetta recusou.

Saindo da casa em que até então vivera e com o chamamento à vida religiosa se tornando cada vez mais forte, ela bateu às portas da Ordem das Filhas de Nossa Senhora das Neves. Saiu frustrada! Para seguir ali como noviça, formar-se, chegar a freira, era necessária a doação de um gordo dote, coisa que ela e sua família jamais conseguiriam juntar. Voltou para casa!

Que triste sina: além de ver frustrados seus sonhos, logo teria que assistir ao falecimento de sua mãe, seguido do de um irmão pouco mais novo, de sua irmã caçula e por fim de seu pai. E tudo isto dentro de um curto espaço de tempo.

Com seus irmãos mais velhos já havendo constituído família, restou a ela assumir a responsabilidade por sua casa, coisa que cumpriu muito bem, encontrando ainda tempo para instruir religiosamente, como voluntária, jovens vocacionadas sem recursos, atendendo ao apelo de seu Bispo Diocesano, Dom Agostino De Mari.

As aulas dadas por Benedetta, logo ganharam divulgação e a procura por elas tornou-se grande, a ponto de obrigar o Bispo a patrocinar a criação de um Convento. Assim, em uma pequena casa alugada, preparada para abrigar essas especiais alunas, tinha início a grande obra que Deus havia reservado àquela sua serva.

Inaugurada em 10 de Agosto de 1837, a mais velha das colaboradoras – Ângela Peixe – assumiu a direção geral, cabendo a Benedetta a função de Mestra das noviças, além de encarregada pela administração das despesas. Ela mesma, ainda não consagrada, além de dar aulas, também estudava, vindo a se formar na primeira das turmas, em 1837. Em sua sagração, optou pelo nome religioso de Maria Josefa. Assim como ela, ganhava nome oficial também o Instituto, passando a chamar-se Congregação das Filhas de Nossa Senhora. Dois anos depois, em 1840, cumpria votos perpétuos.

Para dar forma regulamentar à Instituição, Monsenhor De Mari havia composto seu regrário. Um homem santo, grande colaborador e uma enorme perda. Sim, nesse mesmo ano o Bispo falecia.

Substituindo Irmã Ângela no cargo de Superiora, o qual viria a ocupar por quatro décadas, Irmã Maria Josefa deu forte impulso à Instituição. Assim...

Entre os anos de 1842 e1855, foram várias as unidades criadas por toda a região da Ligúria. Como as noviças lá iniciadas levavam seus dotes à Instituição, graças à excelente administração imposta pela Superiora, regulares sobras começaram a formar um bom capital, que logo encontraria uma santa destinação.

Apiedada com a condição de vida dos escravos negros, com a ajuda de sacerdotes amigos iniciou a seleção de meninas praticamente rejeitadas. Para elas, Irmã Maria Josefa abria as portas de sua Instituição, acolhendo-as e as instruindo, visando dar-lhes melhores chances na busca por um futuro digno.

Além de ter voltado sua Caridade e instrução a meninas e moças, Irmã Maria Josefa também incluiu em sua santa obra a construção de um Seminário em Savona, onde os homens vocacionados e de baixas condições financeiras tinham a preferência no acesso.

E mesmo já antevendo próxima sua partida para o Céu, não permitiu cessar sua vocação empreendedora, iniciando a construção de uma casa direcionada a reintegração social de prostitutas.

“FAÇAS TUDO O QUE PUDERES. DEUS FARÁ O RESTO!”

Assim, obediente a esse lema, viveu santa Maria Josefa até o dia 7 de Dezembro de 1880, ocasião em que seu coração, já bastante enfraquecido, parou de vez de bater. Ia-se desta vida a Irmã que sempre dera tudo de si pela Fé que a comandava. Subia ao Céu, deixando aqui na Terra um Instituto com sessenta e cinco sedes, centenas de religiosas e milhares e milhares de admiradores, todos cientes de sua futura santificação.

E Santa Maria Josefa Rossello de fato viria a ser canonizada, em cerimônia realizada no Vaticano no dia 12 de Junho de 1949, por iniciativa do Santo Papa Pio XII, que também mandou reservar-se a ela como data litúrgica para especiais celebrações, todos os dias 7 dos Meses de Dezembro.

 

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