NOSSA SENHORA DE ALMUDENA

Pode-se afirmar, com a mais absoluta certeza, que se contam aos bilhões as imagens de Maria, espalhadas ao redor do Mundo. E isto incomoda a tanta gente!

Pensando nisso, uma pergunta certamente passará pela cabeça de grande parte de nossos Leitores: qual e como terá sido a primeira imagem, produzida para se manter eternamente viva a figura da mais divina de todas as mulheres?

Se não a primeira, uma das primeiras imagens da Santa Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo é aquela sobre a qual tratamos aqui e que veio a ser apresentada ao Mundo como Nossa Senhora de Almudena. E sua História é tão maravilhosa, quanto o é a figura que ela retrata.

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São Tiago Maior (Santiago) foi um dos doze escolhidos por Jesus. Após a morte do Mestre, assim como os demais Apóstolos e obediente às ordens recebidas diretamente do Salvador, Tiago saiu da Judéia, para ir evangelizar em outras Nações, apresentando a seus povos a Palavra salvífica e plena de Esperança.

Nessa sua jornada evangelizadora, conquistando um sem-número de Cristianizações por onde passava, o filho de Zebedeu e irmão de São João Evangelista, chegou à Península Ibérica.

Como sempre, os soldados romanos – todos pagãos – não davam trégua aos Cristãos e quando de uma parada na Cidade de Granada, alcançados por eles, Tiago e seus seguidores foram feitos prisioneiros.

Mesmo muito antes de sua elevação ao Céu, era sempre a Maria que Tiago recorria, buscando sua intercessão junto a Jesus, ante a iminência do perigo. Como na sequencia da prisão, certamente lhes viria a morte, a Ela recorreu, em oração. Logo, a presença de um Anjo por Nossa Senhora enviado, viria a esperançar os prisioneiros. Abrindo as portas das celas e soltando as amarras de São Tiago e seus discípulos, o Anjo pôs-e à frente deles, indicando-lhes o mais seguro caminho para a fuga.

Com a força que lhes transmitia a Fé, destemidos, retornaram à caminhada, seguindo os mesmos planos anteriores. Assim como anteriormente previsto, só tornaram a parar quando às margens do Rio Ebro, em Zaragoza. Ali, capitaneando o grupo, São Tiago iniciou uma série de orações, voltadas ao agradecimento à Virgem pela pronta ação de seu socorro. E Maria, então, lhes apareceu!

Descendo dos Céus - caminho pelo qual chegara - e precedida por um batalhão de Anjos, Nossa Senhora pousou sobre uma pedra (pilar), dizendo a Tiago que como paga por sua ação, pedia apenas a construção de uma Igreja no local, para que nela todos pudessem honrar seu Filho. Assim se fazia conhecer a Mãe do Cristo, por sua denominação de Nossa Senhora do Pilar.

Em meio aos seguidores de Tiago, havia gente de todos os níveis sociais, sendo alguns deles reconhecidos artistas. Teria sido assim, então, que viria a surgir a imagem esculpida em nobre madeira e que chega a nossos tempos conhecida como “La Virgen de Almudena”, denominação acrescentada em razão de fatos que conheceremos na sequencia.

Durante mais de sete Séculos, a imagem de Maria foi venerada na pequena capela, construída sob grandes dificuldades por Tiago e seus seguidores e que ao longo do tempo foi sendo ampliada pelos fiéis que ia conquistando, cada vez em maior número.

Quando da iminente invasão da Península Ibérica pelos mouros (árabes otomanos), em 711 e pouco antes de sua chegada a Zaragoza (714), os cuidados para com essa imagem se redobraram, terminando por terem-na ocultado em lugar e de forma julgados seguros, já que por detrás de grossas paredes de alvenaria.

E tinham razão seus protetores, pois como uma das primeiras ações ali praticadas, os muçulmanos turcos atearam fogo a tudo o que pudesse representar símbolo da Fé Cristã, principalmente às Igrejas. Acreditavam eles que, assim, favoreceriam a expansão do Islamismo por parte da população, deixada sem locais para seus cultos de Fé.

Qual! Com tal agressividade, os islamitas só fizeram por incentivar o crescimento da Fé Católica, com o crescimento imensurável do Amor a Maria, que passou a ser reverenciada com o acendimento de velas, sempre ao par, gerando uma tradição de se faria milenar.

Por mais de trezentos e sessenta anos os sarracenos (outro nome pelo qual se conhecia os árabes) dominaram a Península Ibérica. Só seriam corridos dali em 1083, quando as tropas do Rei Alfonso VI, o Rei de Castela, que já os vinham expulsando a partir de Toledo, nas históricas batalhas em que se revelou o maior herói espanhol, El Cid, chegaram a Zaragoza.

Fervoroso Cristão, Alfonso VI de tudo fez para encontrar a miraculosa imagem. Enquanto soldados reais “varriam” Zaragoza, ponto a ponto, na incansável busca, liderando uma população ávida por recuperar os principais símbolos de uma Fé jamais relegada, reconstruía a Igreja. Antevendo longa a busca, mandou o Rei que se pintasse uma tela, a partir dos traços da Virgem Maria que se faziam reconhecer pelos relatos que até eles chegavam, transmitidos geração a geração. E a entronizaram, então, numa antiga mesquita muçulmana, transformada em Igreja Cristã, já que em razão das graves perdas herdadas da desgastante guerra, as dificuldades para se levantar a nova Igreja fariam com que sua conclusão delongasse anos.

Foi em 1085, precisamente aos nove dias do Mês de Novembro que, estando pronta a nova Igreja, o Rei Alfonso VI, participando do encerramento de uma novena em louvor a Nossa Senhora, pôs-se à frente de uma grande procissão, organizada para levar a imagem pintada até ela, trasladando-a da antiga mesquita feita sua provisória morada.

Ao passar a procissão à frente do principal celeiro de Zaragoza, - que os árabes haviam denominado Almudith - sem que para isso incorresse qualquer ação humana, após forte estalido um apequena parte da muralha que cercava a Cidade veio a ruir. Maravilhados, todos os fiéis que participavam da procissão puderam assistir à cena que não cabe ser descrita por outra definição que não a de miraculosa: ladeada por duas velas, logo acesas, aparecia-lhes a imagem santa, a mesma de Séculos atrás, lavrada em fino lenho e abençoada por São Tiago Maior, o Apóstolo de Jesus Cristo!

Levada à Igreja construída em sua honra e ali entronizada, a pedido de Dom Alfonso VI a ela deram o nome de Santa Maria la Real de la Almudena.

No decurso dos anos que nos separam daqueles instantes, foram infinitas as graças alcançadas através da intercessão da Santa Virgem, tornada a Padroeira de Madrid. Pena faltar-nos tempo e espaço para narrar algumas das maravilhas feitas por Maria, sob a denominação de Virgem de Almudena. Recomendamos que procurem por leituras que os levem a tal constatação. Encontrarão tais maravilhas como a fartura de trigo, surgida nos fundos da Igreja entregue à direção de Irmãs Bernardinas, tão abundante que, supridas as necessidades do povo, em tempos de novo ataque mouro, serviu ainda para que se o atirasse sobre estes, como mostra da divina proteção que lhes vinha de Deus, que de tudo os protegeria.

Exposta hoje na grande Catedral de Madrid, a santa imagem de Nossa Senhora, sob a denominação de Virgem de Almudena, tornou-se referência mundial da Fé Cristã e ponto obrigatório de visitação para todos os milhões de romeiros que peregrinam pelos Caminhos de Santiago.

Por ter sido esculpida nos anos quarenta de nossa Era e por um artista que certamente esteve próximo a Ela não só no instante de sua aparição às margens do Rio Ebro, tem-se como certo que os traços que a apresentam sejam absolutamente fiéis à verdadeira imagem da abençoada Mãe de nosso Salvador.

Ah, Maria, como é maravilhoso poder e saber amá-la!

 

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