BEATO JOÃO XXIII

Ele ainda se encontra entre os Beatos de nossa Igreja, mas será que alguém tem dúvida de que a canonização de Ângelo Giuseppe Roncalli é apenas questão de tempo? De um bem curto tempo?

A resposta a esta pergunta, para muitos, certamente não se fará pronta, afinal... Ângelo Giuseppe(?)... santo(?)...

Mas, se colocado de outra forma, utilizando a carinhosa denominação que ele conquistou – “o Papa Bom” – ou, melhor ainda, apresentando-o pelo nome que adotou ao receber a Mitra, a Férula, o pálio com a cruz vermelha e o anel do Pescador, símbolos milenares e que o distinguiriam Papa – João XXIII – a anuência não se faria imediata e unânime? Sem dúvida!

É claro que a santificação logo lhe virá! Ele a conquistou com o brilho dos escolhidos. Aos mais atentos, essa conquista já era esperada desde aquele 4 de Novembro de 1958, quando, na magna cerimônia de sua entronização, à frente da Cátedra de São Pedro, aquele suave sorriso que se definitivaria em sua imagem, ocultava uma imensa vontade de chorar, de deixar correrem as lágrimas produzidas por uma tão grande Felicidade, que vinha revestir o mais belo de todos os instantes de uma vida toda ela dedicada a Deus.

Aquele momento, já bem antes registrado no livro dos Projetos de Deus, vinha a coroar uma caminhada santa, que se iniciara pela ordenação sacerdotal em 1904, quando nosso Santo (Sim!) acabara de completar vinte e três anos de idade.

Daí pra frente, ele viria a servir à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo nas mais diferentes e nobres funções: secretário do Bispo Diocesano de Bérgamo-It; professor do Seminário da mesma Cidade; Capelão Militar do Exército Italiano; Arcebispo titular; Visitador apostólico; Núncio apostólico; Cardeal e Patriarca de Veneza e, finalmente, Sumo Pontífice!

22 de Outubro de 1958! Aquele pequenino instrumento de Deus, gerado num dia em que o Criador se dedicara a reforçar o Amor, via consagrar-se uma carreira de uma forma que a sua grande humildade jamais lhe permitira prever. Aliás, como poderia, mesmo, aquele filho de lavradores da presepial Comuna de Sotto Il Monte, na Lombardia-It, imaginar-se coberto por tal glória?!

Até por sua escolha no caminhar Cristão – Franciscano Secular – já se pode verificar sua humildade, seu alheamento frente à glória, sua disponibilidade de Missionário voltado ao convívio com os mais desprotegidos, carentes e desesperançados... Poderia, então, nos restar sequer um átimo de dúvida quanto à sua santificação?

Para nós, parece incontestável que João XXIII veio à Terra para executar um grande Projeto do Criador, que via a Igreja de Seu Filho com dificuldades para retomar os caminhos por Ele planificados e balizados pela humildade e acolhimento igualitário, num grave risco de inversão na busca por sua total e exclusiva comunhão com o povo de Deus.

João XXIII, festivamente celebrado hoje, foi, sim, um projeto do Criador, elaborado na mesma prancheta em que Ele já norteava os rumos do que deveria vir a ser o Concílio Vaticano II, por este santo convocado.

E se temos hoje, graças a Deus e a este seu Instrumento, uma Igreja bem mais representativa do Amor do Cristo, do acolhimento de Maria e da santa Paternidade do Criador, só isto já bastaria para a canonização daquele que dividirá com João Paulo II o epíteto de Santo Maior do Século XX.

Assim como se faz em todo o Mundo, festejemos hoje, com a maior das alegrias, o dia de João XXIII, conforme se lhe reserva a Liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana, à qual tão bem amou e serviu.

 

e.t. – poderia não ser santo alguém que, sob a divina inspiração do Espírito Santo, legou-nos as Encíclicas “Mater et Magistra” e “Pacem in Terris”?

 

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Santa Zenaide