EXALTAÇÃO À SANTA CRUZ

Ao longo dos Séculos cada uma das chamadas Civilizações, assistiu a distintas maneiras de os poderosos da vez mostrarem a força de seu ódio, traduzido pela forma como exterminavam seus opositores, sempre tratados ao nível de inimigos.

 Nero mandava atirá-los aos leões; os assírios empalavam, trespassando-lhes uma fina lança, do reto à garganta; Herodes Antipas os decapitava e o Prefeito da Província Romana da Judéia, por ele indicado – Pôncio Pilatos – crucificava.

Embora nada mais tenha feito que espalhar o Amor, vivenciar a Piedade e a Caridade, oferecer o magno perdão e ditar limites para o comportamento que abriria à Humanidade as portas do Céu, Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, foi considerado inimigo do Império Romano e por este condenado à morte, através da crucifixão.

Acreditamos totalmente desnecessário, descrevermos os acontecimentos que vieram a culminar com a crucifixão de Jesus Cristo. Certamente, em toda a Terra, dificilmente haverá alguém que desconheça tão maravilhosa História, que só se universalizou, tornando-se a mais conhecida de todas e perpetuando-se, graças a sua carga de Verdade.

No dia de hoje, o que faz a Igreja passada ao comando de Pedro por seu fundador, o próprio Senhor Jesus Cristo, é exaltar o símbolo do mais divino dos sacrifícios, aquele para o qual o condenado caminhou destemido, já sabendo de todas as dores que lhe adviriam, mas propondo-se a suportá-las como penitência salvífica, ofertada à Humanidade.

 Se instrumento de tortura e morte, a cruz deveria ser olhada com repugnância, rejeitada em nosso convívio como o são todos os objetos que nos remetem às vilanias, tal e qual fazemos com a corda e o cadafalso, os grilhões perfurantes, etc.

Só que, pelo que a ela se faz intrínseco, a cruz é adorada, reverenciada. Estranho? Não deveria sê-lo, para ninguém, pois ela, como deixou bem claro o próprio sacrificado, fazia parte de todo o grande projeto de Deus para a Humanidade, que O tinha como ponto central. Todo aquele vil sacrifício pelo qual passaria, teria que ser enfrentado: era com aquele ato que se completaria o resgate do nosso perdão. Era ali que se revelaria o Amor em sua plenitude, numa forma só possível a Deus.

E a cruz se fez divina!

Usada no gesto da persignação; ostentada como jóia; afixada nas paredes das salas - residenciais ou não - pela certeza de sua proteção, a Cruz, enfim, transformou-se no maior símbolo de uma prática de Fé!

Durante quase três Séculos, a cruz onde Jesus sofreu seu divino suplício e recebeu a morte, ficou oculta sem que a tivessem destruído, como se fazia normal em casos iguais. Foi só em 320 que, depois de envidar todos os esforços ao seu alcance, Flávia Julia Elena, Imperatriz conhecida como Helena de Constantinopla, a encontrou.

De posse da sagrada Cruz, Helena (Elena) e seu filho, Constantino, mandaram erguer no local de seu descobrimento a magnífica Basílica do Santo Sepulcro, para protegê-la pelos Séculos ou Milênios que Deus nos permitisse existir. Através do exemplo de Fé de sua mãe - que se consagraria santa da Igreja Católica Apostólica Romana - Constantino logo passaria à História como o primeiro dos Imperadores Romanos a praticar a Fé Cristã, fazendo-a caminhar em sua vitoriosa trajetória, sob a proteção do Império Romano*.

Essa proteção se registraria importante passo na aceleração do avanço da Fé Cristã, anotada no período entre os Séculos IV e VII e, assim, muito se ligariam Cristianismo e Império Romanos.

A Cosroes II, Sassânida e Imperador Persa que invadira a Síria em 614, atribui-se a posse da Vera Cruz pela força, simplesmente pela vaidade de colocá-la a seus pés, frente a seu trono, para demonstrar a amplidão de seu poder. No mesmo relato, menciona-se que o Imperador Bizantino Heráclio, derrotando Cosroes II, recuperou a santa Cruz, restituindo-a à sua proteção em Jerusalém. Era o dia 14 de Setembro de 628.

Eis, portanto, a razão deste dia haver sido decretado pela Santa Igreja Romana - a que Jesus entregou a Pedro – como dia de festa litúrgica. Um dia especial; dia de se reverenciar o maior símbolo religioso da Terra; ocasião para se pensar na força do sacrifício e das maravilhas dela resultante.

Um dia para não mais se permitir sobrarem dúvidas de que Deus caminhou entre nós e por nós entregou sua vida humana, forma pela qual nos garantiu uma vida maior, toda ela vivida a seu lado no Céu, onde nos espera, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, trindade que homenageamos através do que apreendemos a chamar de Sinal da Cruz !

*( Dinastia Constantiniana, parte da Tetrarquia Romana).  omemho

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outros santos deste dia:
Santo Alberto de Jerusalém
São Pedro de Tarantasia
Santa Notburga