SANTA MARCELINA

Irmã dos Santos Sátiro e Ambrósio, Santa Marcelina tinha também por ascendente Santa Sotera, que há aproximadamente quarenta anos antes de seu nascimento, durante as perseguições aos Cristãos, impostas pelo Imperador Diocleciano, havia sido martirizada e morta por não abdicar de suas convicções católicas.

Com uma atrocidade dessas tendo acontecido há tão pouco tempo, mesmo tendo arrefecido o furor anticristão do Império Romano, já então sob a regência Constantino I, o Magno, fazia-se prudente não tornar visível uma preferência religiosa que não a pagã, tendo em vista a inconstância dos humores imperiais. Só que tanto ela quanto seus irmãos jamais se recusaram a deixar transparecer suas opções pelo Cristo.

Poder-se-ia mesmo dizer que a posição social de seu pai, aliada à política – Governador da Gália (França) – lhes dava um certo conforto quanto à manifestação de seus princípio religiosos, mas não era bem assim, pois os Imperadores Romanos, quando se viam ameaçados pela firmeza de propósitos e rápido crescimento da Igreja de Jesus, iniciava o extermínio dos “ameaçadores Cristãos”, justamente por seus mais próximos.

Com uma infância pródiga em mimos e uma juventude promissora em regalias, de repente Marcelina se vê à frente de uma situação bastante grave: se já não lhe bastasse haver perdido seu pai, aos treze anos, aos vinte vê também falecer sua mãe.

Não havendo outra saída, é ela quem se encarrega de dirigir o lar dos Ambrosii, encaminhando seus irmãos aos estudos e buscando administrar o razoável patrimônio deixado por seus pais. Por seu sucesso em ambas as atividades, Marcelina faz nascer uma forte admiração sobre sua pessoa, despertando paixões que fazem crescer bastante o número de seus pretendentes.

Frustrando a todos eles, Marcelina manifesta a firme vontade de assumir a vida religiosa. Com seus irmãos estudando em regime de internato, tem ela a chance de dedicar-se à caridade, no que se atira com todo o prazer.

Para se manter distante do assédio de pretendentes inconformados com sua opção pela virgindade e vida inteiramente dedicada a Jesus e à Sua Igreja, muda-se para a Comuna milanesa de Cernusco sul Naviglio, onde encontra o refúgio que lhe permite orar e meditar pelo tempo que considerar necessário.

Julgando-a já pronta e merecedora de tal honraria – assim considerada à época - o Papa Libério, em cerimônia oficial, levada a efeito na noite de Natal do Ano de 325, lhe entrega o véu da consagração total. Num tempo em que só aos homens era permitido representar a Igreja de Jesus Cristo, tal atitude causa grande espanto.

Embora ainda não com esse sentido, Marcelina faz de sua casa uma espécie de Convento, onde ministra aulas de aplicação religiosa às dezenas de outras moças que, empolgadas com sua iniciativa, resolvem também se entregar ao serviço à Igreja de Jesus Cristo. Formam-se, assim, as primeiras Irmãs de Caridade, aptas a evangelizar e a socorrer espiritualmente a todos quantos necessitassem.

Praticamente institui-se a primeira Ordem feminina, pois ficam estabelecidas para suas seguidoras as regras da virgindade, da pobreza, da simplicidade nas vestes e na obediência, além de se fazerem prevalecentes os exercícios da Caridade e do ilimitado Amor ao próximo, sem exclusões.

Não descuidando do encaminhamento de seus irmãos, Marcelina continua a privilegiar suas formações, patrocinando a eles o melhor dos estudos então possíveis. Só descansa ao vê-los vencedores, com Sátiro prefeito e Ambrósio governador da importante Província de Milão, cargo que ocuparia apenas por dois anos, para, a partir daí, tornar-se Bispo de Milão.

Cobrando a seu lado a presença de sua irmã, a grande conselheira, confessora e guia, Dom Ambrósio reservou um grande espaço no palácio episcopal de Milão, para onde a futura Santa Marcelina levou todas suas seguidoras. Era, assim, dado o grande passo para tornar possível a formação de religiosas que, como já se fizera provado, faziam de seu sacerdócio importante segmento de conversão e afirmação dos preceitos Cristãos.

Por todo o tempo em que serviu à Igreja de Jesus Cristo, a partir de Milão, Santa Marcelina pode instruir grande número de fiéis seguidoras, que foram se incumbindo de levar a todos os cantos da Europa, inicialmente, a Caridade, a Benemerência e toda a devoção característica das mulheres religiosas.

 Assim, em 17 de Julho de 397, aos setenta anos de uma vida santa, toda ela dedicada a Deus, Marcelina ascendia ao Céu, após expirar mansamente, na Paz que fez por merecer.

 Seus restos mortais repousam na cripta da grande Basílica de Santo Ambrósio, em Milão, para onde acorrem milhares de veneradores, em busca de sua intercessão por milagres. Com base nisto, a Santa Sé mantém aberto um processo de canonização, que já se prevê brevemente concluído.

Tendo em vista os fiéis italianos já a venerarem na qualidade de Santa, a Igreja Católica Apostólica Romana instituiu para ela uma data para solenes comemorações, inscrevendo-a no Calendário Litúrgico, na parte referente ao Mês de Julho e no dia 17 deste, o mesmo do de sua morte.

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  Santa Edwiges da Polônia
    Santo Enódio de Pávia
     Santo Alexis de Roma
     Santas Justa e Rufina
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