SANTA EUFRÁSIA (EUPRÁXIA)

Eufrásia nasceu cercada de luxo e cuidados especiais, enfim, se não se poderia considerá-la nobre, ao menos a aristocracia lhe caia bem, afinal seu pai era um Senador de Constantinopla e sua mãe parente próxima do Imperador Teodósio.

Só para se ter uma idéia do mimo que a cercava, basta vermos que, num tempo em que não se limitava o número de filhos, sendo até de bom tom possuí-los às pencas, os pais de Eufrásia, tão logo ela nascida, juraram votos de castidade. E esse mimo perduraria por toda sua vida, não fora a ação do destino.

Seu pai veio a falecer enquanto Eufrásia era ainda pouco mais que um bebê e se isto não bastasse, sua mãe também viria a falecer assim que completada sua infância. Antes, porém, de sua precoce morte, rica e bela, não faltaram pretendentes a se aproximarem da viúva, querendo fazer-lhe a corte.

Se há um termo que se ajusta bem na descrição do comportamento da mãe da futura santa, este é “recatada”. Além da grande humildade que tanto ela quanto seu falecido marido sempre praticaram, a retidão de caráter sempre marcou o perfil daquele casal que, ao fazerem o tal voto de castidade, objetivavam servir à Igreja, voltando à sua filha e a Jesus, a integralidade de seus pensamentos e ações. Assim...

Eufrásia e sua mãe se retiraram para o Egito, dispostas a viverem exclusivamente para a oração, o serviço à Igreja e a caridade.

No Egito, ambas iniciaram peregrinação por conventos e hospitais. A grande fortuna de sua mãe, permitia que se desenvolvesse fortemente em Eufrásia o sentimento da caridade, pois em ambos esses lugares, a presença das duas peregrinas de Cristo, deixavam marcadas suas passagens, com as polpudas doações ali feitas.

Foi numa dessas visitas que, surpreendendo à sua mãe, a pequena Eufrásia - então com sete anos de idade - pediu para ficar ali. Era um convento e embora sabendo que lá se praticava uma vida extremamente humilde, onde o jejum e as orações eram as práticas que preenchiam os dias e pequenas celas, de apenas toscos leitos, eram os cenários para as noites, a manifestação de tal desejo se fez tão viva, que sua mãe concordou. Com a aquiescência da Superiora do convento, Eufrásia se tornava monja.

Vivendo a mesma vida comum a todas as irmãs, foi em seu tempo de convento que o falecimento de sua mãe veio a se somar aos infortúnios da futura santa. Como ela ainda era praticamente uma criança, o Imperador mandou buscá-la. Tinha a intenção de assumir sua criação, já tendo até mesmo intermediado seu casamento com um nobre, o que lhe garantiria um futuro estável, sem abalos financeiros.

Eufrásia não só se recusou a ir, como também solicitou ao Imperador que juntasse todos os seus bens e o empregasse de duas maneiras: distribuindo parte deles aos pobres e com a outra, adquirindo a liberdade para escravos.  E mais: mandou avisá-lo que já oferecera sua virgindade a Deus, pondo fim, assim, a qualquer tentativa de casá-la.

Sempre disposta a se fazer presente em meio aos pobres e aos doentes, santa Eufrásia foi colecionando numerosos milagres, todos atribuídos à sua intercessão.

Por exclusivo desígnio de Deus, não se fez longa a vida de Santa Eufrásia. Tinha ela apenas trinta e dois anos quando Ele a levou para junto de si. O interessante é que, um dia antes de seu passamento, a superiora do convento teve a visão de sua morte e comunicou-lhe isto. Acreditando nessa premonição, a Santa pediu que a madre lhe desse sua última comunhão.

Assim, em 13 de Março de 412, tranquila, feliz, no mesmo convento em que vivera grande parte de sua santa vida e que tanto amou, ela falecia.

Hoje, em todo o Mundo, celebra-se sua festa litúrgica, repetida a cada 13 de Março.

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